Vol. 1 do Bunko de Steel Ball Run (02/2017)

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Publicado em 17 de Fevereiro de 2017
Vol. 1 do Bunko de Steel Ball Run Bunko (Fevereiro de 2017)
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Vol. 1 do Bunko de Steel Ball Run

O posfácio de Hirohiko Araki, escrito no primeiro volume da versão Bunkoban de Steel Ball Run em 17 de Fevereiro de 2017.

Entrevista

Em 2004, eu comecei a desenhar JoJo's Bizarre Adventure: Parte 7 “Steel Ball Run”. Essa era a história de Johnny Joestar e Gyro Zeppeli e sua participação na grande corrida pelo continente Norte Americano, indo de San Diego na costa oeste até Nova York na costa leste. Eu gostaria de compartilhar com vocês todos algumas memórias relacionadas à gênesis dessa obra.

Parte 1: Os Protagonistas
Cada um deles tem seus próprios problemas de família: O relacionamento de Johnny com seu pai e a linhagem de Gyro. É quase como se seus nascimentos são uma contradição e seu desejo de assumir controle de suas vidas os levou a entrar na corrida. Os outros personagens tem uma atitude positiva também e aqueles que escondem o poder de um Stand são muito confiantes em si mesmos. Isso tendo sido dito, manter uma atitude positiva é um jeito cansativo de se viver. No final, para encontrar um pouco de paz eles só tem 2 escolhas: sair da corrida ou chegar à Nova York.

Parte 2: Os Stands
Até então, eu havia criado Stands com a intenção de visualmente representar elemntos que não são possíveis de ver com olhos terrestres porém ainda sim existem. Isso inclui todos fenômenos e criações físicas, coisas como transformar chamas em personagens ou desenhar o próprio tempo. Com a minha obra "Stone Ocean," eu havia alcançado um certo senso de realização e estava me perguntando, "O que eu deveria fazer agora?" Quando eu comecei a desenhar SBR, eu tinha uma predileção por rotações (especificamente rotações espirais). As chamas que eu criei pareciam redemoinhos de vento, água respingando voava como vórtices, juntas do corpo dobrariam como se parafusadas juntas, cabelo crescia de forma sinuosa, os galhos de plantas e árvores se conectavam curvados ao tronco principal, pétalas de flores eram como espirais, as sombras de pedras pareciam estar girando, etc... Ao constantemente desenhar coisas assim, eu cheguei à conclusão de que rotações e espirais davam uma explicação clara do conceito de "rotação" para "renascimento," logo idealmente a história voltaria ao seu ponto inicial. É através dessa motivação que eu me convenci de que SBR devia se passar na mesma época uqe a Parte 1, isso sendo no final do século XIX.

Parte 3: A Pesquisa
Eu amo histórias nas quais personagens crescem durante uma jornada e eu acredito que isso tende a ser uma experiência universal. Esses dias, você pdoe obter informação sobre o que você quiser ao pesquisar na internet, e como resultado viagens de pesquisa não são mais necessárias. Entretanto, há lugares onde é necessário estar lá em pessoa, para realmente perceber sua magnitude. Para verdadeiramente compreender o outro lado da moeda, nós devemos viver nesses lugares para passar por suas misérias e inequidades, e entender o que aconteceria se, por exemplo, nós nos encontrássemos sem leite. Levado pelo desejo de experimentar com esses sentimentos, eu fui em uma viagem de descobrimento em um Cessna e em um carro começando em um deserto no Extremo Ocidente. Não foi necessariamente relacionado a SBR, mas eu fui particularmente fascinado pelos lugares com aviões acidentados e abandonados bem no meio do nada.

Depois, eu caminhei por 5 dias e 4 noites nas montanhas de Kumano Kodo (um grupo de trilhas antigas de peregrinação, patrimônio da UNESCO desde 2004) na prefeitura de Wakayama no Japão. Eu queria descobrir o que aconteceria comigo se eu caminhasse 20 quilômetros todo dia, e então foi isso que eu fiz. Talvez essa experiência em particular tenha alguma relevância a Sbr. Todo dia, as maravilhosas vistas oferecidas pelas florestas se tornariam ainda mais escuras após 4 da tarde, mais do que você poderia imaginar. Um dia eu vi uma senhora idosa sozinha, saindo do escuro e dizendo "Se eu não tivesse conhecido aquela criança eu certamente teria me perdido e acabaria com problemas!" (sobre que criança ela estava falando?!). Depois de 2 dias caminhando meus músculos começaram a doer muito, o celular não tinha sinal e ele parecia tão pesado que cada dia eu considerava a ideia de jogá-lo fora. As contradições de invenções inúteis.

Parte 4: Os Inimigos
O Presidente Valentine, que aparece na segunda metade de SBR é o seu vilão principal, o pior inimigo, o grande mal, uma pessoa extremamente má. Porém, eu gostaria de explicar por que ele é um vilão do ponto de vista dos protagonistas, Johnny e Gyro. O Presidente Valentine usa a corrida Steel Ball Run para coletar os tesouros necessários para transformar seu país de origem na maior e melhor nação do mundo para levá-la em direção de uma nova era. Basicamente, através desse evento, ele planeja conquistar a simpatia do povo e obter os direitos para seus compatriotas. Ele está ciente de que o futuro trará o movimento de cavalos para máquinas, e sabe que a democracia significa a aquisição dos direitos de uma economia capitalista. Com isso tendo sido dito, uma pessoa que não conhece egoísmo é realmente assustadora. Em prática, as ideias do Presidente Valentine são muito mais válidas que as dos nossos protagonistas Johnny, Gyro, Stephen Steel, etc.. Como resultado, esse presidente que deseja seguir o caminho justo é o antagonista por 'antonomásia'. Nele reside as contradições que existem entre o bem e o mau. É um tipo de paradoxo. De qualquer jeito que ela seja, o que é a felicidade? Se a felicidade coincide com a vitória da verdade, então teria ela de ser o objetivo dessa era? No final, irão Johnny e Gyro realmente serem capazes de alcançá-la?

Parte 5: A Área
A publicação dessa obra trocou da Weekly Shonen Jump para a Ultra Jump mensal, não só porque depois de muitos anos os prazos semanais passaram a me estressar, mas também porque eu senti que em SBR a "área" em que eu podia desenhar cresceu bastante (Eu estou me referindo ao número de páginas em cada capítulo). Eu senti que eu poderia melhorar nas proporções entre os fundos e os personagens e também senti que eu havia encontrado um ritmo ideal para desenvolver esse mangá que, por sua natureza, é mais adequado a ser mensal.

—Hirohiko Araki


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